domingo, 24 de junho de 2018

RELEVANTE (II)



"Sobre o oficialismo, ele disse que há uma grande dependência do Estado na vida brasileira, que se trata, de acordo com ele, de um verdadeiro vício."
(Trecho de notícia da Gazeta do Povo)

Podemos morrer de fome,
podemos morrer de sede:
podemos morrer à míngua
de arroz, de carne, de pão;
e até de tédio morremos
caso acabe a diversão.
Mas de uma coisa, madame,
é bom que ninguém reclame:
não será à míngua de língua
que morreremos.

Podemos morrer de infarto,
de açúcar, de indigestão.
Morremos quando nos falta
o ar para a respiração;
ou na água pereceremos
se na onda o barco trepide.
Mas de uma coisa, senhora,
ninguém descreia ou duvide:
não será à míngua de língua
que morreremos.

Morremos, quando, ao relento,
no inverno a geada nos tolhe:
ou no calor do deserto
por força da insolação;
ou de susto, quando vemos
no escuro uma assombração.
Mas de uma coisa bem sei
que neste país é de lei:
não será à míngua de língua
que morreremos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário