segunda-feira, 9 de abril de 2018

OUTRA DE TIA



Depois que o general mostrou
sua bundinha lá no Tuíte,
um fogo interior me tomou
que não sei como aplaque ou quite.

Um fogo interior me tomou
que até parece gasolina;
e é por um nada que não vou
rodar a bolsa numa esquina.

E é por um nada que não vou
soltar foguetes na avenida
ou flertar, juvenil que estou,
com os bolsonauros desta vida.

Ou flertar, juvenil que estou,
em tão incrível estação,
com a foto do juiz que falou
como um astro à televisão.

(Com a foto do juiz que falou
ando a sonhar, de adolescente,
muito porque morta não estou
e ainda tenho um fundinho quente.)

Muito porque morta não estou
e amo as bundas dos generais
(e outras coisas que não mostrou)
ardo agora, cada vez mais.

(E outras coisas que não mostrou
e hoje me dão sonhos ardentes,
como o fogo que me tomou
noutra quadra, sem precedentes.)

Como o fogo que me tomou
e não sei como aplaque ou quite,
depois que o general mostrou
sua coisinha lá no Tuíte,

já não durmo: não sei quem sou
e ando a sonhar com o capitão,
que há de exibir o seu fuzil
na tela da televisão.

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