quinta-feira, 22 de março de 2018

LETRAS DE SOPA



É um escudo de luta, é o brasão da grandeza
(Aurélio de Lyra Tavares)

Foi o Merval malhar na academia,
para ver se ganhava algum tutano:
se não ficava para tio ou tia
nesse assunto de ser mais que fulano.

Com bigodes de quem transpõe o dia
e o troca pela noite e seu arcano,
trocou o incerto pelo que sabia,
vestindo a farda, como um publicano.

Malhou firme, a ganhar musculatura
na sopa das letrinhas — partitura
onde escreveu merval, mervel, mervil.

E nem para exibir a nova forma
despiu a farda, que envergou por norma,
recomendando-a aos magros do Brasil.

quarta-feira, 14 de março de 2018

SONETO XLVIII



Aécio vai ser o primeiro a ser comido...
(Sérgio Machado)

Não foi. Nem mesmo a Corte o digeriu —
ela, que tem o estômago bojudo,
capaz de deglutir, sem muito estudo,
qualquer bucho que o acaso lhe serviu.

Um jantarzão, com o Supremo e tudo!
Aquele outro, profético, o anteviu
(passando do indigesto ao espinhudo),
com uma avidez que até a Globo viu.

Tal o estado de coisas desta enorme
dança cujo barulho há de acordar
o próprio Deus, que lá por cima dorme.

E tais, para os que ficam ao relento
(e têm curiosidade de indagar),
os pratos que se servem neste evento!

(Indigestos e purgativos, 2ª série)

sexta-feira, 9 de março de 2018

Indigestos e Purgativos (3ª série)



Terceira e última série da coletânea de sonetos Indigestos e Purgativos, disponível para acesso gratuito em

http://arquivors.com/renato_indigestos3.pdf